Tempo e espaço

Não te amo no hoje nem no amanhã. Te amo fora de tudo isso. Fora da noção de tempo e de realidade, fora de um compromisso moralmente entediante, fora das regras que não cabemos.
Não cabemos no espaço. Na moral. No tempo.
Cabemos apenas nos braços um do outro. Quando isso acontece, embarcamos em nosso próprio ciclo de amor.
Não quero mais do que podes me dar, não quero nada além do que tenho. Não posso te dar nada além do que te dou: todo amor do meu peito.
Meu peito grita e foge para além do mundo. Não é o maior amor do mundo. Se trata do motor que dá luz às estrelas e à vida.
Esse é você: fez nascer o que há de bom em mim e pintou todas as galáxias distantes que me fazem companhia enquanto você está longe.

Gosto das noites estreladas porque são infinitas e não pertencem a esse mundo. Nem eu, nem você.
Te dou apenas o que posso oferecer: tudo além de nós.
Amor infinito e sem saudades: te trouxe comigo e te carrego. Como faço há quase 6 anos.

Toma estas estrelas essa noite, vamos para além delas. Te espero, sempre.

[08/04/2014]

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Peter Pan sabia das coisas - estes são dias desleais

Desde os 13 anos, em todas as agendas e diários, está a frase “pára o mundo que eu quero descer”. Na época, ainda tinha acento, só não tinha verdade. Mas eu, não tinha noção disso.
Todas as músicas melodramáticas que eu ouvi a vida inteira falavam a mesma coisa, mas eu achava que era outra.
Talvez, o que tenha dado errado não foi o percurso, mas o viajante. Caminhante, só há caminho ao caminhar. Mas, ninguém falou que poderia ser tão difícil caminhar. Acordar, escovar os dentes, (des)pentear o cabelo e ir atrás: atrás de que?
Não é a faculdade. Não é o colégio. Não é o curso. Muito menos eu estava escovando o dente na casa da minha mãe.
Eu estava na minha própria vida. Aquela coisa mirabolante que imaginei durante anos. O ascendente em aquário, sempre ele: me faz viver no mundo das projeções futuras e não ter atenção com a realidade, o hoje.
O hoje não existe para mim. Nesta vida mirabolante, tudo é uma questão de sorte ou azar. Não parece que as coisas possuem uma sequência lógica de acontecimentos.
Não me parece que os prêmios são justos.
Já os desânimos, ah, esses sim. Fazem justiça. Não posso esmorecer, o desânimo aparece. Não posso acordar tarde, o desânimo chega de mansinho em forma de preguiça. Não posso pensar em desistir: já desisto antes de pensar.
Todo dia é um novo dia. Todo dia é um novo dia em que eu estou na minha vida. Todo dia é uma sensação medonha de gaiola com porta aberta pra ir e voltar.
Mas não tem volta.
Certos caminhos não tem volta. O meu, nunca teve. Eu estava predestinada a ele. Meu caminho é fechar portas. Fecho todas, passo por elas e vou embora. Levo tudo que posso, guardo tudo comigo em uma caixinha que a cada mudança, diminui de tamanho. Nunca há espaço suficiente para tantas lembranças e as malas são poucas.
Fico então comigo. Ainda tenho muitas de mim em mim mesma.
Preferia não ter nenhuma. Preferia ter uma certeza, qualquer que fosse: o mundo acabaria amanhã. Estaria feliz com uma certeza.
Mas o que prevalece é o não-dia: é o medo, o desespero. É a sensação mais dolorosa do mundo. É a certeza de que não possui alguma.
A única certeza que fica é a de estar no lugar errado. Claro, todo iludido possui essa certeza. De que está no lugar errado, que nada se encaixa, nada pertence. Claro, todos vivem com essa esperança de dias de sol e uma coisa melhor do que a solidão diária de almoçar o que é capaz de fazer, de cortar o cabelo como é capaz de querer ou virar quantas garrafas de bebida e drogas conseguir verter.
Todos vivem com a ilusão de que existe um lugar feito só para si, onde a vida faz sentido, onde a solidão não existe e onde é possível todo dia ser acordado por alguém que se importa em como estão as coisas.

Mas e se não existir?
[14/03/2014]

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E se é pelo não fazer porque tentamos fazer aquilo que sabemos que não conseguiríamos fazer se não fosse a vontade imensa de fazer ainda que não se tenha noção do como fazer?
E se é para pensar descompromissadamente, porque cismamos em colocar as pequenas coisas como a maior de nossas vidas?

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As cartas que não chegaram

Esse é o titulo de um livro que eu não sei sobre o que é. Pensei em ler a sinopse, mas achei melhor não. Na verdade, nem sei se quero ler esse livro… Porque assim são as cartas que não chegaram. Nunca saberemos. E junto delas, estão as palavras não ditas. Não ditas neste curto espaço de tempo que é a nossa vida. Cartas que se perdem na poeira dos dias, no cansaço das semanas e na solidão dos anos. Cartas que falam metade do que deveriam falar. Cartas que não falam. Pessoas que vão embora. Sonhos que são esquecidos. As cartas que não chegaram são tão tristes quanto as palavras não ditas. Não falar já é pensar em falar, mas escrever e não entregar… É cortar o auto-impulso que te fez escrever aquilo. É negar a própria natureza, é machucar a si próprio. A dúvida é um abismo de mistérios que nunca te deixa sair. E lá, moram todas as cartas não entregues. E fora desse abismo, está o orgulho besta, que fica parado, olhando pra todo esse buraco negro. E não deixa ninguém sair. Isola a todos, a nós todos. Isola as palavras antes de serem ditas. As palavras antes de estarem no papel, antes da caneta funcionar. Mas, às vezes, elas fogem e vão parar no papel.

Mas o orgulho é um eficiente carcereiro: pega aquelas folhas cheias de sentimento e guarda. Taca de volta no buraco negro. E lá, está tudo. Tudo que nunca te falei nem você. Tudo que me engasga todos os dias. Todas as histórias que eu adoraria te contar. Emprego, vida, estudos, bobeiras, comidas novas que experimentei, sonhos que tive. Tudo engasgado. Mas deixo ele fazer seu papel: está tudo lá, perdido no cárcere eterno do que não falamos.
Os dias que passaram, foram-se. Espero não dar o mesmo destino para os dias que virão… Mas, por hora, só tenho coragem de te falar: boa noite.
(14/09/2013)

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Ninguém vai ler mesmo

então eu posso falar o que eu quiser e começar sem letra maiúscula. Ninguém vai ler, ninguém vai saber e só eu e o computador dividimos todas essas reflexões dos últimos dias. Amigos indo embora, amigos voltando, conhecidos casando, eu morando sozinha: quando foi que crescemos?
Estava perguntando isso ontem para uma amiga (que está partindo). Quando foi que deixamos de ter 15 anos e passamos a ter uma vida nas costas? Quando foi que amadurecemos se ainda choramos pelos mesmos motivos bestas? Ou não são mais os mesmos?
Não são as mesmas pessoas que dão dor de cabeça, não são mais os mesmos problemas. Mas ainda é a mesma pessoa que aguenta todos eles. Quando foi que ficou determinado que estávamos prontos para aceitar todo o nosso destino? E quantas coisas mais iremos fazer antes de contarmos toda a história para os nossos filhos?

O jeito é ir fazendo. E ver onde vai dar.

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Porque todo mundo deveria assistir Orphan Black

Mentira, mais um título dramático. Mas sim, a série é um expoente atual no mundo dos seriados de TV. Todo mundo sabe que eu sou ultra über viciada em sci-fi e essa série não deixa contempla maravilhosamente bem o trabalho de se encaixar em um contexto atual, com um tema contemporâneo e deixar no espectador aquela sensação de “poderia ser verdade” que é tão característico das produções culturais do gênero. O charme do sci-fi é o não-saber, é a dúvida, é o “será?” que pode ser deixado.
Bom, não vou falar sobre a série, ela fala sobre clonagem humana. O resumo pode ser encontrado aqui mas o que ninguém tinha me avisado era a primazia com que a atriz Tatiana Maslany interpreta 10 PERSONAGENS. Sim senhores, ela faz os 10 personagens. Fiquei incrédula por muito tempo, jurando que ela deveria ter pelo menos uma irmã gêmea… Mas não. A menina é incrível mesmo. Então, mesmo que o tema não interesse, vale MUITO a pena assistir só para ver a atuação INCRÍVEL da série. Apesar do Emmy (maior premiação do seguimento) simplesmente IGNORAR produções desse gênero (minha rainha Gillian Anderson foi a última mulher a ganhar o prêmio pela categoria, com Arquivo X em 1997), a atriz está altamente bem cotada. E gente, é sério: altamente merecido.

Quem quiser baixar, a 1a temporada tá aqui .

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Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele.

É a única maneira de manter sua opinião.

365 dias no Rio
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2 de agosto de 2013

Há 8 anos atrás, eu e 3 amigas fizemos uma promessa: de que no dia de hoje, nos encontraríamos na frente do local que nos conhecemos há 8 anos, às 18hs. E que, se alguém tivesse ido estudar fora ou não estivesse, deveria mandar sinais de vida. Uma delas até cogitou a hipótese de estar trabalhando como guarda-noturno, mas isso não vem ao caso. Durante muito tempo e até hoje, essa foi a promessa de longa distancia que fiz. E prometi ir lá, mesmo assim, as 18hs. Na verdade, ontem eu estava pensando em ir. Na verdade, tudo mudou. Exatamente tudo que imaginava que estivesse acontecendo há 8 anos atrás quando pensei no dia de hoje. Até ontem, eu ia, eu iria. Eu imaginei que fosse. Ou seja, minha ideia de que devemos cumprir nossas promessas sobreviveu por quase 8 anos completos, mas quando o dia de hoje chegou, eu sabia que não iria. Por um diazinho eu deixei de ter uma longa data de esperança. Esperança que as coisas iam se acertar e de que o amr vence. Mas não vence. Quem vence é o meio, a sociedade, as circunstâncias. O cansaço do outro vence. O descaso vence. A incapacidade de fazer o tudo que vem após já termos feito tudo; tudo isso vence e venceu. A falta de amor de enviar uma mensagem perguntando se tá tudo bem. Ou seja, a falta de vontade de dar valor e continuar vence no final. E isso não é triste ou feliz, apenas é. Eu também fui uma dessas que deixou tudo isso vencer. Eu também tive desamor, eu também parei de procurar. Talvez menos que os outros, mas eu também deslizei. Eu também deixei vencer o que eu NÃO acreditava. E todo dia que fico mais velha eu deixo um pouquinho do que repudio vencer dentro de mim. E ele vence, faz fortalezas, se edifica. O que eu vejo de ruim, sempre vence todo dia. Mas eu também venci. Isoladamente de tudo o que gostaria, separadamente. Eu sobrevivi a todo esse lixo, a todas as coisas boas: eu sobrevivi ao mundo e consequentemente, sobrevivi a nós mesmas também.

Sinto que fiz muito além do que poderia e deveria, mas sinto que ir hoje, lá, as 18hs, seria vencer o destino. Deixa assim como está. Hoje eu aprendi uma lição que demorei 8 anos para aprender. Não é a melhor lição do mundo, mas foi uma lição feita.

E a vida é recheada das coisas feitas, não dos encontros que não aconteceram. Deixa estar. Eu aprendi algo hoje.

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chorou pelo o que não podia dizer e por coisas que não sabia sentir.
— Sex and the City S04E08
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"Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como nódoa do passado
Eu deixarei…
tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.”

Ausência- Vinícius de Moraes

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